Malafaias é o humorista do bizarro. A mistura de citações sinistras da bíblia com comentários de final de feira cria uma salada indigesta. O humor funciona para quem pode entrar no restaurante, ler o cardápio e ir embora.
O humor nonsense e involuntário do Malafaias serve de advertência. Existe algo de pedagógico na fala dele. Ela nos alerta dos descaminhos e combinações malucas que o ser humano pode criar para anular o que é diferente.
O nazismo é o exemplo mais clássico disso. Em sua essência, o nazismo é repetido à exaustão. Não nas mesmas proporções. (Ainda bem, há esperanças!!!)
Voltando ao malafaias: encontramos nele um exímio orador que combina afetos para influenciar opiniões.
Daí ele contar anedotas e causos para ilustrar a frase de um profeta hebreu obscuro de tempos imemoriais. Por isso ele pula e esperneia para demonstrar a eficiência de seu desprezo e garantir a sua contaminação. Em seguida, ajeita o paletó, respira fundo e retoma o discurso pausado da oratória tradicional.
Assistimos ele transitar com maestria do sussurro à vociferação, da coloquialidade ao paternalismo legislador.
O auge de seus programas é a passagem do tom admoestatório e superegóico do deus do velho testamento para o paternalismo amoroso e delicado do melhor cristão franciscano.
Na hora de pedir dinheiro.