Os profetas do apocalipse estão em polvorosa. Há versões do fim do mundo para todos os gostos: tempestade solar, choque de asteróide, renúncia de papa...Talvez uma delas, bem ao gosto brasileiro, preveja uma reedição de sodoma-e-gamorra pós-carnaval, algo como uma chuva de enxofre e fogo para expurgar o pecado acumulado no período momesco.
No entanto, nenhuma maldição consegue ser mais assustadora do que voltar ao trabalho depois da quarta-feira de cinzas. Dai não ser exagero afirmar que para muitos o fim do mundo se torna quase um consolo. Muito melhor que encarar a fatura do cartão de credito ou explicar para a(o) esposa(o)/namorada(o) o inexplicável.
Depois que o asteróide e o carnaval passarem e o sol sossegar o facho, não vai demorar muito para que surja uma nova edição do seriado fim-do-mundo. Basta que alguém com alguma culpa no juízo encontre uma bíblia ao alcance da mão e assista com regularidade aos documentários do discovery channel. No mais, é só fazer bando na internet.E eu, que já passei pelo Skylab, pelo Halley e pelo calendário maia, vou fazendo listinhas inúteis. Envelheço e fico mais instruído quando se trata de fim do mundo.
Texto dedicado ao Miguel Ángelo




