Se, brasileiros, chamamos o país
vizinho com o nome da ave da mesa natal e das piadas de duplo sentido (conforme o exemplo do finado humorista Costinha), nada mais instrutivo do que pensar que a mesma relação pode ser constatada
com os falantes da língua inglesa quando se referem à Turquia (pelo
menos no que diz respeito à ave).
Em “Istambul”, livro do escritor
turco Orhan Pamuk, encontramos um interessante exemplo sobre o Brasil, de outra perspectiva.Em meio às narrativas de suas memórias de infância, Pamuk escreve: “Deve haver alguma relação entre o Brasil e as lentilhas – não só porque Brasil se diz Brezilya em turco e a palavra lentilha é bezelye – mas também porque a bandeira do Brasil tem, aparentemente, uma enorme lentilha no meio”. Daí a conclusão: “depois que a conexão se estabelece, nada consegue desfazê-la”.
Acredito que Pamuk
tem razão. São misteriosas e inusitadas - mas também duradouras - as conexões que determinam o uso que fazemos das palavras e modulam nossa apreensão da realidade.Não sou conhecedor de lentilhas e sempre tive para mim que fossem verdes como são as ervilhas. De qualquer forma, vou dormir hoje com a imagem de uma lentilha azul, positivista e carnavalesca. Uma lentilha que carrega a faixa de rei Momo com os dizeres “ordem e progresso”.
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