quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Descobrindo o Abcedário

As letras que estampam os discos de rock serviram de apoio para a descoberta do abecedário.

No colégio, o desconcerto da professora. Sem entender a origem de tudo aquilo e também sem querer impatar a liberdade do menino, restou a alternativa de acompanhá-lo na aventura de transmutar sons em traços.

O menino, por sua vez, espantava-se com a indiferença dos colegas. Eles não sabiam que o "B" era de Beatles e o "I", de Iron Maiden? E o de "T" de Thinn Lizzy, o "V" de Voivod? E o "D" de Dires Straits e Deep Purple? E o "M" de Metallica e Megadeth? O "O" de Ozzy, então?

Creio que aí ele começou a desconfiar que estava sozinho nesse caminho. De qualquer forma, a professora constatou: ele não erra os nomes dos colegas quando vê escrito.

Por mais que a linguagem socialize e comunique, seu ponto de partida é uma escolha que permanece opaca, irredutível.

Daí cada um aprender a ler ao seu modo, pela mediação desse crivo pessoal que não se ensina e que permeia a escolha de cada um.

Fico imaginando como deve ser escrever o próprio nome pela primeira vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário