Gosto de pensar que tudo isso se
originou de um grande engano, ato enigmático, um inalcansável instante zero da
palavra.
Imagino esse momento como a expressão bruta de um afeto que teria sido inadvertidamente tomada por um interlocutor desavisado como uma fala portadora de um sentido.
Ali onde havia apenas um grito, um muxoxo, um resmungo, um suspiro, esse interlocutor arcaico teria interpretado uma mensagem dirigida a ele.
Daí então esse processo continua a se repetir e a produzir mais e mais sedimentos.
E aqui estamos nós, falando e nos desentendendo.
Imagino esse momento como a expressão bruta de um afeto que teria sido inadvertidamente tomada por um interlocutor desavisado como uma fala portadora de um sentido.
Ali onde havia apenas um grito, um muxoxo, um resmungo, um suspiro, esse interlocutor arcaico teria interpretado uma mensagem dirigida a ele.
Daí então esse processo continua a se repetir e a produzir mais e mais sedimentos.
E aqui estamos nós, falando e nos desentendendo.

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