Difícil reconhecer a concisão da melodia, do peso, da poesia.
Depois da música feita, o chamado à repetição
Vem o impossível: fazer o mesmo diferente
Do timbre? Da força?
Como ver o futuro sem querer antencipá-lo?
Sabendo-se estranho, sendo o que não é
Reproduzindo o que já foi
O Finito falho, a perpetuar-se.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
Ideogramas
Pedro, apontando a marca deixada pelo elástico do calção, solta o seguinte comentário: "olha, pai, as letras como eles escrevem no Japão".
Horoscopo do falcão.
Meu horoscopo de hoje: "priorize tudo o que for simples, prático, saudável e eficiente".
Deveriam chamar a barbara abramo pra planejar a política de saúde mental do SUS.
Amigos: nao se esqueçam de andar pela sombra e, na duvida, optem pela canja de galinha. Sem sal
a música: Horoscopo.
a música: Horoscopo.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
O Ataque dos bodes-robôs Gigantes
domingo, 5 de maio de 2013
O tempo e o vento

De súbito, sou tomado pela ilusão passageira de que o tempo parou. Ilusão que, quando se desfaz, comprova o inexorável da vida.
Lembro do guitarrista de uma das minhas bandas favoritas que morreu na semana por um motivo banal.
Lembro do romance do Érico Veríssimo, das mulheres que ele retrata, cronistas da vida da vida e da morte.
Dou mais um gole de café. E penso em visitar Almofala.
http://www.opovo.com.br/app/colunas/anamiranda/2013/05/04/noticiasanamiranda,3049903/a-igreja-soterrada.shtml
segunda-feira, 15 de abril de 2013
O ateísmo errante (Ou Dawkins com Freud) III
Dawkins escreveu que a religião é um delírio.Freud, bem antes de Dawkins, disse que a religião se trata de uma ilusão, uma resposta à experiência de desamparo do homem
Se uma ilusão é sistematizada, torna-se um delírio, em um uso mais flexível dessa palavra.
Ingressa-se no discurso das religiões pela via da fé, pelo consentimento em se compartilhar uma ilusão.
A partir dos dois, podemos afirmar que o delírio individual surge antes do delírio compartilhado.
Dito
tudo isso, considero difícil de se sustentar uma modalidade de ateísmo
que se pretende fundamentar radicalmente em evidências. "A ciência um dia irá responder..."Não deposito tanta fé na ciência assim. Pelo menos numa ciência que não reconhece limites.
Se eu deliro? É possível que às vezes sim... Mas duvido: se estou certo e, ao mesmo tempo, se sou entendido.
Nada impede que agora esteja convicto do que digo.
O ateísmo errante (Ou Dawkins com Freud) II - O medo e a fé
O medo, sim, é humano. Nele eu acredito.
Não falo do medo dos animais.
Por mais que haja todo um aparato corporal subjacente às reações de medo no homem, o medo humano é atravessado pela linguagem, pela cultura.
O inconóscível é o ponto de partida de todo conhecimento ... e seu limite.
O inconóscível é o campo da experiência do medo.
O medo atualiza aquilo que escapa á simbolização: a morte, o sexo, a procriação, o insuportável na relação com os outros.
Como ter certeza do que eu represento para os outros?
Como dizer tudo para alguém supondo que é capaz de entender tudo que foi dito?
E como dizer algo para alguém acreditando que, para além, nada há mais para ser dito?
A fé, por sua vez, é a contrapartida ao medo humano.
O medo e a fé são humanos:
Não há vivente falante sem um ato de fé,
Não há vivente falante que não tenha tido a experiência do medo.
Não falo do medo dos animais.
Por mais que haja todo um aparato corporal subjacente às reações de medo no homem, o medo humano é atravessado pela linguagem, pela cultura.
O inconóscível é o ponto de partida de todo conhecimento ... e seu limite. O inconóscível é o campo da experiência do medo.
O medo atualiza aquilo que escapa á simbolização: a morte, o sexo, a procriação, o insuportável na relação com os outros.
Como ter certeza do que eu represento para os outros?
Como dizer tudo para alguém supondo que é capaz de entender tudo que foi dito?
E como dizer algo para alguém acreditando que, para além, nada há mais para ser dito?A fé, por sua vez, é a contrapartida ao medo humano.
O medo e a fé são humanos:
Não há vivente falante sem um ato de fé,
Não há vivente falante que não tenha tido a experiência do medo.
sábado, 13 de abril de 2013
O ateísmo errante (Ou Dawkins com Freud) I - O conhecimento e a fé
O ser humano é capaz de conhecer e transmitir informações pela linguagem, produzindo cultura.
A cultura é ampla e diversificada, assim como são infinitas as possibilidades de
conhecimento...
... e também de equívocos, subversões e reviravoltas.
Quem conhece gente desconfia do que se entende, sem desconfiar do entendimento.
O problema do conhecimento humano não se exaure na perspectiva do acúmulo de informações,
Ainda que sejam infinitas as possibilidades de conhecimento, há um limite ao ato de conhecer.
Enciclopédia, banco de dados e internet não são humanos.
A cultura é ampla e diversificada, assim como são infinitas as possibilidades de conhecimento...
... e também de equívocos, subversões e reviravoltas.
Quem conhece gente desconfia do que se entende, sem desconfiar do entendimento.
O problema do conhecimento humano não se exaure na perspectiva do acúmulo de informações,
Ainda que sejam infinitas as possibilidades de conhecimento, há um limite ao ato de conhecer.
Enciclopédia, banco de dados e internet não são humanos.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Cliff Burr
Cliff Burr foi o primeiro baterista do Iron Maiden. Sua batida é inconfundivel e, para muitos (incluo-me nesse grupo), ele é o melhor baterista que já passou pela banda.
Sabia que sofria de esclerose múltipla há pelo menos uma década e que, em consequência da doença, já havia perdido boa parte de seus movimentos.
Fora isso, pouco ouvi a respeito dele nos últimos vinte anos.
Apesar desse hiato, sua presença era constante na minha vida: na marcação, no cadenciamento e nas viradas das músicas dos primeiros discos do Iron Maiden. Em especial, ficou para mim o som do chimbal, recurso da percursão ofuscado no heavy metal com a inserção cada vez mais frequente dos dois bumbos a partir da segunda metade dos 80.
Ontem ele faleceu. A notícia não me surpreendeu. Senti algo semelhante à sensação que fica após o ataque no prato da bateria no desfecho de uma música intensa e poderosa. Uma sensação que continua a ressoar sob o fundo de um silêncio que se insinua.
Segue "The Prisioner", do "The number of the Beast": http://www.youtube.com/watch?v=LNi7zHyYGg4
Sabia que sofria de esclerose múltipla há pelo menos uma década e que, em consequência da doença, já havia perdido boa parte de seus movimentos.
Fora isso, pouco ouvi a respeito dele nos últimos vinte anos.
Apesar desse hiato, sua presença era constante na minha vida: na marcação, no cadenciamento e nas viradas das músicas dos primeiros discos do Iron Maiden. Em especial, ficou para mim o som do chimbal, recurso da percursão ofuscado no heavy metal com a inserção cada vez mais frequente dos dois bumbos a partir da segunda metade dos 80.
Ontem ele faleceu. A notícia não me surpreendeu. Senti algo semelhante à sensação que fica após o ataque no prato da bateria no desfecho de uma música intensa e poderosa. Uma sensação que continua a ressoar sob o fundo de um silêncio que se insinua.
Segue "The Prisioner", do "The number of the Beast": http://www.youtube.com/watch?v=LNi7zHyYGg4
sábado, 2 de março de 2013
Linguagem
Cada língua possui suas próprias
relações internas constituídas de modo mais ou menos fluido, mais
ou menos estável.
Gosto de pensar que tudo isso se
originou de um grande engano, ato enigmático, um inalcansável instante zero da
palavra.
Imagino esse momento como a expressão bruta de um afeto que teria sido inadvertidamente tomada por um interlocutor desavisado como uma fala portadora de um sentido.
Ali onde havia apenas um grito, um muxoxo, um resmungo, um suspiro, esse interlocutor arcaico teria interpretado uma mensagem dirigida a ele.
Daí então esse processo continua a se repetir e a produzir mais e mais sedimentos.
E aqui estamos nós, falando e nos desentendendo.
Imagino esse momento como a expressão bruta de um afeto que teria sido inadvertidamente tomada por um interlocutor desavisado como uma fala portadora de um sentido.
Ali onde havia apenas um grito, um muxoxo, um resmungo, um suspiro, esse interlocutor arcaico teria interpretado uma mensagem dirigida a ele.
Daí então esse processo continua a se repetir e a produzir mais e mais sedimentos.
E aqui estamos nós, falando e nos desentendendo.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Abbey Road
Pedro-McCartney antes de atravessar a rua. Na calçada, olha para mim e diz: "papai, vamos fazer que nem os beatles. Eu vou descalço e você, de sapato!!!"
Diarios da Guanabara
Pelos buracos da 222, sigo resignado, lendo Borges e Pamuk, escutando pink floyd, thinn lizzy, rush, rainbow... O sorriso dos filhos quando chego em casa não tem preço.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Crônicas do apocalipse
Os profetas do apocalipse estão em polvorosa. Há versões do fim do mundo para todos os gostos: tempestade solar, choque de asteróide, renúncia de papa...Talvez uma delas, bem ao gosto brasileiro, preveja uma reedição de sodoma-e-gamorra pós-carnaval, algo como uma chuva de enxofre e fogo para expurgar o pecado acumulado no período momesco.
No entanto, nenhuma maldição consegue ser mais assustadora do que voltar ao trabalho depois da quarta-feira de cinzas. Dai não ser exagero afirmar que para muitos o fim do mundo se torna quase um consolo. Muito melhor que encarar a fatura do cartão de credito ou explicar para a(o) esposa(o)/namorada(o) o inexplicável.
Depois que o asteróide e o carnaval passarem e o sol sossegar o facho, não vai demorar muito para que surja uma nova edição do seriado fim-do-mundo. Basta que alguém com alguma culpa no juízo encontre uma bíblia ao alcance da mão e assista com regularidade aos documentários do discovery channel. No mais, é só fazer bando na internet.E eu, que já passei pelo Skylab, pelo Halley e pelo calendário maia, vou fazendo listinhas inúteis. Envelheço e fico mais instruído quando se trata de fim do mundo.
Texto dedicado ao Miguel Ángelo
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Notícias psicodélicas
Nada mais surreal que a página do UOL durante o carnaval.Aí vai uma pequena coletânea:
- "Jovem que pôs a leilão a virgindade na web desfila pela Mangueira"
- "Angela bismark anuncia hímen descartável por R$30,00"
- "Ivete faz versão "Embromation" de Gangnan Style"
- "Carro alegórico de escola de samba pega fogo em Santos; ao menos quatro pessoas morreram"
Um estrangeiro de passagem no Brasil poderia muito bem pensar que o redator do site tomou ácido com Guaraná Jesus e Cachaça desdobrada.
Conclusão: no carnaval, pode tudo. Até mesmo se fantasiar de Mega Foxx.
(a parte mais difícil da estória está em saber quem é Mega Foxx).
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Brasil, o país das lentilhas
Se, brasileiros, chamamos o país
vizinho com o nome da ave da mesa natal e das piadas de duplo sentido (conforme o exemplo do finado humorista Costinha), nada mais instrutivo do que pensar que a mesma relação pode ser constatada
com os falantes da língua inglesa quando se referem à Turquia (pelo
menos no que diz respeito à ave).
Em “Istambul”, livro do escritor
turco Orhan Pamuk, encontramos um interessante exemplo sobre o Brasil, de outra perspectiva.Em meio às narrativas de suas memórias de infância, Pamuk escreve: “Deve haver alguma relação entre o Brasil e as lentilhas – não só porque Brasil se diz Brezilya em turco e a palavra lentilha é bezelye – mas também porque a bandeira do Brasil tem, aparentemente, uma enorme lentilha no meio”. Daí a conclusão: “depois que a conexão se estabelece, nada consegue desfazê-la”.
Acredito que Pamuk
tem razão. São misteriosas e inusitadas - mas também duradouras - as conexões que determinam o uso que fazemos das palavras e modulam nossa apreensão da realidade.Não sou conhecedor de lentilhas e sempre tive para mim que fossem verdes como são as ervilhas. De qualquer forma, vou dormir hoje com a imagem de uma lentilha azul, positivista e carnavalesca. Uma lentilha que carrega a faixa de rei Momo com os dizeres “ordem e progresso”.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Descobrindo o Abcedário
As letras que estampam os discos de rock serviram de apoio para a descoberta do abecedário.
No colégio, o desconcerto da professora. Sem entender a origem de tudo aquilo e também sem querer impatar a liberdade do menino, restou a alternativa de acompanhá-lo na aventura de transmutar sons em traços.
O menino, por sua vez, espantava-se com a indiferença dos colegas. Eles não sabiam que o "B" era de Beatles e o "I", de Iron Maiden? E o de "T" de Thinn Lizzy, o "V" de Voivod? E o "D" de Dires Straits e Deep Purple? E o "M" de Metallica e Megadeth? O "O" de Ozzy, então?
Creio que aí ele começou a desconfiar que estava sozinho nesse caminho. De qualquer forma, a professora constatou: ele não erra os nomes dos colegas quando vê escrito.
Por mais que a linguagem socialize e comunique, seu ponto de partida é uma escolha que permanece opaca, irredutível.
Daí cada um aprender a ler ao seu modo, pela mediação desse crivo pessoal que não se ensina e que permeia a escolha de cada um.
Fico imaginando como deve ser escrever o próprio nome pela primeira vez.
No colégio, o desconcerto da professora. Sem entender a origem de tudo aquilo e também sem querer impatar a liberdade do menino, restou a alternativa de acompanhá-lo na aventura de transmutar sons em traços.
O menino, por sua vez, espantava-se com a indiferença dos colegas. Eles não sabiam que o "B" era de Beatles e o "I", de Iron Maiden? E o de "T" de Thinn Lizzy, o "V" de Voivod? E o "D" de Dires Straits e Deep Purple? E o "M" de Metallica e Megadeth? O "O" de Ozzy, então?Creio que aí ele começou a desconfiar que estava sozinho nesse caminho. De qualquer forma, a professora constatou: ele não erra os nomes dos colegas quando vê escrito.
Por mais que a linguagem socialize e comunique, seu ponto de partida é uma escolha que permanece opaca, irredutível.
Daí cada um aprender a ler ao seu modo, pela mediação desse crivo pessoal que não se ensina e que permeia a escolha de cada um.
Fico imaginando como deve ser escrever o próprio nome pela primeira vez.
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